Já pensou em fazer uma viagem volta ao mundo?! A Patrícia do blog Bagagem de Memórias curtiu essa aventura e nos contou tudo com detalhes nessa entrevista que foi dividida em duas partes. Saiba tudo sobre o planejamento, custos e a experiência de conhecer 52 cidades!

 

1) Qual país mais te surpreendeu? (Que você imaginava que era uma coisa e era outra)
Esta é uma pergunta difícil, mas digo que foi o Camboja. Eu não tinha ideia do que fazer nesse país quando o inclui no roteiro, tampouco quando lá cheguei. Tudo o que sabia é que queria conhecer o templo Angkor Wat, que já havia visto em centenas de fotos e onde fora gravado o filme Tomb Raider, com a Angelina Jolie. 
 
Cheguei ao Camboja sem muita expectativa, porém fui realmente surpreendida. Angkor Wat é um complexo de templos gigantesco, e é incrível poder imaginar como, há mais de mil anos, ocorrera sua construção. E isso sem falar na história, na religião e na energia envolvidas no local. Ver o sol nascer atrás dos templos é indescritível. Outros aspectos marcantes são as cores e os sabores, vistos e sentidos a cada instante. Apaixonei-me pelo khmer curry, um prato típico, e o comi por quatro refeições seguidas.
 
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Com exceção do preço da entrada dos templos, tudo é muito barato. O Camboja é o paraíso dos viajantes on budget, que possuem o orçamento apertado! Uma curiosidade é que a moeda que circula no país é o dólar americano. Paguei cinco dólares na diária de um dos melhores hostels que me hospedei, com café da manhã incluído, e um dólar no fried noodles, outro prato típico, que eu comprava do mocinho que ficava na esquina do hostel. Outros valores acessíveis para compras encontrei no Night Market, ótimo para lembrancinhas e souvenirs. 
 
De todas as experiências, a que mais me marcou foram as pessoas. Os cambojanos são o povo mais simpático e receptivo que existe, sempre a sorrir e dispostos a ajudar. Isso fez mais sentido para mim quando descobri que, nos últimos 40 anos da história do país, marcados pela tristeza e por eventos trágicos, guerras e genocídios exterminaram ¼ da população, incluindo crianças. Não é difícil ver pelas ruas pessoas com braços e pernas amputados como consequência da guerra, e é raro encontrar idosos, já que a maioria foi assassinada por Pol Pot, o líder do Khmer Rouge. Mesmo apesar desse histórico, o povo é maravilhoso.
 
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2) Quais dicas você dá para quem quer fazer essa viagem?
A principal dica para quem quer fazer uma volta ao mundo é: tenha certeza do que você quer e saiba filtrar os comentários que vai escutar. Fazer essa viagem era o meu sonho, mas confesso que bateu aquele medo e um monte de inseguranças antes de ir. Some a isso uma enxurrada de comentários que podem lhe puxar para baixo, do tipo: "você é louca?"; "e a sua carreira?"; "ganhou na Mega-Sena e não falou para ninguém?"; "tá sobrando dinheiro?"; "tá revoltada com a vida?"; "vai deixar o namorado aqui sozinho?"; "você não tem medo, não?" e por aí vai… Sem contar com aqueles que falam: "nossa, que legal!", mas, internamente, pensam o oposto. Demorei um pouco para entender que importar com esses comentários não ia ajudar-me em nada. Depois, passei a me apoiar em reais palavras de incentivo, e não posso negar que também recebi muitas! 
 
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Se você realmente quer fazer uma volta ao mundo, pare de inventar desculpas para si, tenha foco, acredite, planeje e vá ser feliz! Geralmente, o primeiro comentário é: "eu quero fazer isso, mas não tenho dinheiro". Eu escutei muito isso, mas tudo é questão de prioridades e um pouco de desapego. Recusei muitas viagens com amigos, troquei os jantares em restaurantes com o namorado por jantares em casa, deixei de pagar estacionamentos para usar bilhetes de metrô, parei de comprar tudo o que não fosse realmente necessário, como roupas, sapatos, eletrônicos, comidinhas etc, e passei a pesquisar preços de tudo o que era importante. Juntei minhas economias de anos, vendi umas coisinhas que estavam paradas em casa e, por último, meu carro, pouco antes de partir. Tem gente que compra um carro, mas tem quem prefira viajar. Carro é despesa, viagem é investimento. Onde você quer por o seu dinheiro?
 
 
3) Tem alguma coisa que você gostaria de ter feito nessa viagem e não fez?
Tive que cortar muitos países do roteiro, então continuo tendo motivos para viajar! Acredito que viajar é uma grande oportunidade de aprender e de conhecer coisas novas. O mundo lhe ensina o que você não aprende na escola, desafia-lhe de uma forma que o seu chefe não o faria e lhe mostra pontos de vista que seus pais não mostraram. Essa foi, com certeza, a melhor experiência de minha vida, e não me arrependo de nada. Se eu pudesse voltar ao tempo, faria tudo de novo, mas com menos planejamento. Simplesmente deixar as coisas fluírem e ir para aonde o vento levar.
 
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4) Tem algum dos países que não considera seguro para uma mulher sozinha?
Eu não tive problema nos países que passei, apesar de ouvir, de pessoas que conheci, histórias de roubos e furtos em Espanha, Indonésia e Vietnã. É claro que alguns cuidados são necessários em qualquer lugar do planeta, então, evitava andar sozinha tarde da noite em lugares desertos, não deixava dinheiro e objetos de valor à mostra e respeitava a cultura local.
 
Mas essa questão varia muito de país para país. É bem provável que alguém devolva sua carteira perdida com todo o dinheiro no Japão, mas não espere o mesmo nos países da América do Sul, por exemplo. Tem países que decotes e regatas não são bem vistos, e é preciso vestir-se apropriadamente, mesmo com aquele calor infernal. Há culturas em que o assédio às mulheres é algo normal, e você vai receber olhares e ouvir cantadas sem graça; já noutras, mesmo que a pessoa esteja pensando as maiores besteiras, por respeito à cultura e/ou religião, não vai fazer nem dizer nada.
 
Esse fator, inclusive, foi um dos critérios de seleção quando estava a definir o meu roteiro. Eliminei todos os países em conflito e os que as mulheres são muito submissas, como os do Oriente Médio. Eliminei a Índia da lista com dor no coração, mas foi na época que uma menina fora estuprada no ônibus com a justificativa de estar vestida inadequadamente, sem falar que é um país que requer cuidados específicos com a saúde, e isso seria um visto a mais para me preocupar. Mesmo assim, tenho planos de conhecer esse país.
 
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5) Qual a comida típica que mais gostou?
Conhecer a culinária local é requisito fundamental em minhas viagens. Amei os curries da Tailândia e do Camboja e a comida exótica de Bali, na Indonésia. Tanto é que fiz um curso de culinária nesses três países, e eu não gosto de cozinhar! Sei que não é muito típico, mas comi o melhor cupcake de minha vida em Siem Reap, no Camboja, e o melhor hambúrguer em Pai, na Tailândia. Adorei os Night Market do sudeste asiático, com toda sua diversidade de cores, cheiros e sabores, e fiquei viciada em um sanduíche vendido nas barraquinhas de Luang Prabang, em Laos. Sou suspeita para falar, mas sou super fã de comida japonesa e as refeições no país do sol nascente eram o paraíso para mim. Até tive curiosidade, mas não consegui experimentar os insetos fritos do sudeste asiático. O balut, um ovo de pato cozido com o filhotinho dentro, também passou bem longe de meus pratos.
 
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6) Qual país mais gostou de conhecer? Por que?
É muito difícil escolher um só país. Como eu disse em uma das respostas, o Camboja é um país que me surpreendeu. Também achei incrível o estilo de vida e a conexão com a cultura e a religião de países como Tailândia e Laos e da ilha de Bali, na Indonésia. É visível a influência que esses elementos têm nas atitudes das pessoas, que vivem em busca de uma vida mais feliz, leve, sem stress, sem rancor, além de estarem sempre sorrindo e dispostas a ajudar sem esperar algo em troca.
 
Outro ponto que me chamou bastante a atenção é a capacidade do Japão de misturar tradição e modernidade de uma forma tão natural. Em meio a tanta tecnologia, maquininhas por todo o lado, robôs, arranha-céus, luminosos e o shinkansen (trem-bala), que te leva a qualquer lugar do país, você encontra templos antigos, cerimônias tradicionais e mulheres andando de kimono nas ruas. Destaque também para os japoneses, que considero o povo mais educado do planeta e os que melhor sabem viver de forma coletiva. Uma grande lição para nós, do Brasil.
 
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7) Teve algum “mico, furada ou roubada” nessa viagem?
Toda viagem tem uma história para contar, e essa não podia ser diferente. A maior roubada é tentar andar de táxi em países como China, Vietnã e Indonésia. Os taxistas são “malandros”, querem negociar o valor da corrida cobrando bem mais caro dos turistas, usam taxímetros adulterados ou te dão notas falsas. Isso quando não te levam pro lugar errado ou te largam no meio do caminho para ganhar mais fazendo menos. Geralmente, opto pelo transporte público ou pela caminhada, mas, às vezes, não há jeito, e o taxi é preciso.
 
Em um dos lugares que me hospedei no Vietnã, a mocinha da recepção foi super simpática e me sugeriu fazer um passeio de barco, o qual ela falou muito bem. Eu não havia perguntado nada sobre passeios e achei bacana a proatividade dela. Estava decidida a fazer esse passeio, mas, quando fui pesquisar sobre, descobri que era uma furada: mal avaliado e cheio de problemas. E a mocinha me passara um preço maior do que a empresa cobrava, pois, afinal, ela ganhava comissão sobre os passeios vendidos. Não preciso dizer que desisti de ir, né? 
 
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8) O que mais te marcou durante essa viagem?
Com certeza o que mais me marcou foram as pessoas que conheci e/ou reencontrei durante a viagem. O mesmo lugar com pessoas diferentes não seria a mesma coisa. Hoje, posso dizer que tenho amigos espalhados por todo o planeta. Mais um motivo para continuar viajando: preciso visitá-los! Choques culturais são inevitáveis e, quanto maiores, mais marcantes. É muito interessante ver como culturas diferentes encaram e reagem à mesma situação.
 
 
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Viagem volta ao mundo - parte 1 | WOMAN TRIP

 

Entrevistada: Patrícia
Revisão: Andrezza Conde